quinta-feira, 5 de julho de 2012

Divina.....

Bem, estive pensando cá comigo, em minha atual realidade.
Há alguns meses me retirei de cena, tive de fazê-lo para poder continuar estar "nelas".
Deixei um mundo quando fui embora, meu mundo que havia de alguma maneira estragado, e quase, apenas quase jogado fora.
Porém, lembro-me de várias coisas boas que deixei nesse mundo, de um modo; e, quando cheguei estavam de outro.
Muitas coisas mudaram em seis meses, vários acontecimentos foram surgindo e ficando para trás, mas sempre deixando suas marcas, algumas delas, vivo hoje.
Algumas coisas encontrei como um relógio velho, que após muitos anos, como que por milagre, dá-se corda e ele volta a funcionar; outras não.
Mas o mais importante, eu não me encontrei, não era mais o mesmo; já não reconhecia meu antigo habitat natural.
Ao vasculhar minhas coisas, meus pertences, senti-me como um varredor de ruas que remexesse os bolsos de um homem morto, sensação essa que persistiu por um longo tempo.
Olhava minhas roupas, e via trapos velhos com vibrações negativas; percebia meus cadernos, as folhas enrugadas e inchadas, espichando-se da encadernação como uma língua saindo da boca de um cadáver; fragmentos de fotografias de crianças (eu), retratos estes encolhidos há muito tempo pelo crescimento de seu dono; carteira de couro embolorada e sem nada dentro, como um dia fora minha vida.
Onde estive esses meses ausente, pude explorar minha individualidade que há muito se extinguira.
Ao voltar me foi estranho inúmeras e diversas coisas; coisas simples, como acordar a hora que eu bem entender, tomar banho pelo tempo que me desse vontade, poder sentir minha barba crescer à vontade.
Devo dizer que a sensação da barba crescendo livremente em meu rosto era tão estranha quanto os pensamentos que começaram a revelar-se em minha cabeça.
No passado, eu jogara dinheiro fora, e o fizera sem remorso; hoje, preciso tanto e não tenho... Ainda.
Em algum lugar lá atrás, morrera o antigo homem que um dia eu fui.
Morreram os antigos hábitos servis que o ser humano despojado de sanidade adquire e passa a sobreviver.
Sentia-me uma moeda falsa naquele tempo; mas lembrar do passado não ajuda.
Quando me ausentei pensei: "Apenas o futuro poderá me remodelar".
E estava certo, Deus me remodelou, e o futuro teve paciência de se esperar chegar.
Mas continua sendo estranho essa liberdade relativamente "nova" para mim.
De algum modo, ainda não me encontrei... Ainda.
Quando ia ao meu lugar de exílio, lembro-me de olhar pela janela do carro, o coração batendo um pouco mais depressa, os olhos assustados com os fantasmas da escuridão lá fora, e o rosto transparecendo uma cruel e falsa tranquilidade, pois havia pessoas que não precisavam ler isso "nele".
Ao chegar lá, no lugar que hoje chamo de: MEU PEDACINHO DO CÉU; fui recepcionado por estranhos, almas que julgava perdidas e insanas, faces curiosas me encaravam, me vasculhavam cada centímetro, e havia vozes também, murmúrios vindo de algum lugar; e meu coração acelerava a cada segundo; travava uma luta contra minha garganta, sufocando os gritos que estavam por vir, e brigava com meus pés, para que não fizessem sua vontade, e saíssem correndo.
Meu cérebro ganhou afinal, e fiquei; vi meus amados ou melhor, minhas amadas irem embora. Fiquei. Completamente sozinho no meio de tantos, que, assim como eu, ali estavam para voltar a viver.
Não sei se foi providência divina, mas creio que sim; permaneci lá até o fim, suportei todos os tipos de afrontes mentais possíveis e imagináveis. Talvez as pessoas não  saibam, ou não julguem ser verdade, mas é uma batalha árdua, difícil, extenuante permanecer em um lugar isolado, longe de quem amamos, enfrentando nossos vícios, nossos medos, enfrentando-nos uns aos outros, e a nós mesmos; porém, de peito e mente aberta, é um aprendizado maravilhoso e enriquecedor.
Mas, hoje que estou aqui, enfrento o mundo, de cabeça erguida, e sabe de uma coisa?
Ainda o inimigo mais difícil de se enfrentar sou eu mesmo.
Mas agora é bem mais fácil, afinal, descobri que Deus nunca largou de minha mão, eu é que larguei da Dele, e digo-lhes uma coisa... Nunca mais!!!
Muito obrigado DIVINA!!!




P.S.: Obrigado especial aos amados: Regina, Evandro, Sueli, Elisângela, Jorge, Sidney, Sr. Nelson e Dna. Meire, Nelson, Thiago Moreno, Caroline, Fábio, Padre Jeferson, Celebrantes, Marcelo e a todas as outras pessoas especiais que de uma forma ou de outra colaboram com essa casa que nos traz de volta a vida com a graça de Deus!!! Amo vocês!!!



3 comentários:

Caroline Gabiat disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Caroline Gabiat disse...

Força!! Que vc ja é vitorioso!!

Arthur Francisco. disse...

Obrigado linda... Deus te abençoe!!!